Um dos pontos fundamentais da resposta brasileira à epidemia de aids é a associação entre o exercício dos direitos no mundo do trabalho e o direito à saúde.
Quase 80 milhões de brasileiros são economicamente ativos, isto é, atuam ou procuram ocupação no mercado de trabalho. Destes, apenas 30 milhões são registrados e podem exercer plenamente seus direitos trabalhistas. Mesmo nesse segmento, formalmente vinculado a empresas privadas ou ao serviço público, nem todos trabalham em organizações que desenvolvem programas permanentes de segurança e saúde. Condições inadequadas de trabalho, falta de informações corretas e de ações de prevenção, além de fatores de vulnerabilidade para a saúde dos trabalhadores, acarretam a deterioração das relações de trabalho e da produtividade.
A transmissão do vírus da aids está vinculada às relações interpessoais, ao contexto social.
Uma pessoa tem maior ou menor probabilidade de se expor à infecção conforme suas condições de vida, tal como situação trabalhista, nível de organização de sua categoria profissional ou da capacidade de resposta à epidemia de aids por parte da empresa à qual está vinculada.
Estudos internacionais estimam que cada dólar investido em prevenção poupa 36 dólares em gastos com assistência e reparações.A prevenção é um dever,mas também evita perdas com a desestruturação da produção e promove a marca de responsabilidade social da empresa.
Esta publicação Prevenção e Trabalho – manual de implantação e implementação de programas e projetos de prevenção ao HIV e Aids no local de trabalho, produzido em parceria com o Conselho Empresarial Nacional de Prevenção do HIV/Aids, é um instrumento de informação, visto que afasta preconceitos e aponta caminhos para a construção de uma rede de apoio a ações sistemáticas de prevenção entre trabalhadores e empresários.
A sustentabilidade dos programas que desenvolveremos, com ajuda deste manual, dependerá da conscientização do empresariado sobre as vantagens da prevenção e do sucesso de suas parcerias com as estruturas locais de saúde, com organizações não-governamentais e com órgãos como o Sesi/Senai, Sesc/Senac e Sest/Senat. O material que lançamos é antes de tudo uma convocação à mobilização, de todos, pela saúde.
Alexandre Grangeiro
Diretor do Programa Nacional de DST/Aids
Secretaria de Vigilância em Saúde – Ministério da Saúde
Clique aqui para baixar o Manual Completo